Gabriela passou dois anos em uma relação conturbada. Afirma em terapia que foram os piores anos de sua vida e que o trauma foi tão grande que prometeu a si própria nunca mais tolerar abuso.

Cansada da postura passiva da relação passada , Gabriela decide adotar um estilo de enfrentamento indiferente e racional, onde seu único objetivo é “não ter mais dor de cabeça.”

Não importa o quanto seu pretendente queira intimidade, conexão e afeto…ela agirá de maneira fria, irônica e debochada.

Apesar de se divertir nas relações sem envolvimento emocional, Gabriela tem se percebido triste e deprimida, chegando a verbalizar que tem a sensação que está piorando. ” Será que sinto falta do meu ex abusivo?”

Enquanto Gabriela vivia na adrenalina do abuso, uma parte sua ( CRIANÇA ILUDIDA) lutava para que houvesse mudança. Com o fim da relação, sua CRIANÇA SOLITÁRIA não foi cuidada em seu luto de mais um vínculo fracassado e o MODO EVITATIVO atual rompe qualquer esperança de atendimento.

Vale salientar que, a necessidade da pequena Gabi não é que Gabriela encontre um príncipe encantado, mas de ser escutada, acolhida e orientada sobre ” por que desde sempre nunca me senti amada?”

Gabriela não sabe acolher sua menina, afinal, teve péssimas referências de cuidadores. Nesse caso , o VÍNCULO TERAPÊUTICO é uma excelente oportunidade de modelo de cuidados e enfraquecimento do modo evitativo, porém o VÍNCULO SEGURO só será possível através de um terapeuta confiável, atento e que tolera as dificuldades da pequena Gabi em acreditar no amor.

No íntimo, o MODO EVITATIVO só quer proteger a criança de novos abusos.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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