Apesar de só ter tido três sessões de psicoterapia e uma sessão com o psiquiatra, Clara recebeu o diagnóstico de Borderline.
O fato de estar vivendo uma relação abusiva há quatro meses, a faz ter insônia, se mostra hipervirgilante e com um medo absurdo de ser abandonada.
Liga para o namorado várias vezes ao dia. Ameaça ir ao seu trabalho e tenta controlá-lo o tempo inteiro.
Clara , antes de conhecer André, não tinha problemas com vínculos. Reproduzia com amigos e namorados o apego seguro, aprendido em sua família de origem, que era bastante afetuosa e tudo era resolvido na base da conversa, empatia e nunca punição.
Se houve um grande erro na família de Clara foi sobre a orientação, que não se deve usar a compaixão quando o resultado for o esgotamento emocional.
Clara acabou usando no namoro com André a compaixão, perdão e sacrifício que usava nos seus 10 anos de trabalho voluntário com moradores de rua em vulnerabilidade.
Diferente do trabalho, onde. o reconhecimento somado ao amor nutriam o seu coração, com André não surtia tanto efeito.
Passou a se esforçar cada vez mais , aumentando sua privação e autossacrifício e, por fim, perdendo o limite.
Quando André, devido ao seu estilo de apego desorganizado, ameaça romper o vínculo por simplesmente não se sentir amado, ela experimenta algo novo em sua vida : o sentimento de fracasso , abandono e rejeição.
Sem orientação, decide se dedicar ainda mais ao relacionamento, se isolando das atividades acadêmicas, amigos e familiares.
Pessoas que vieram de família saudáveis também podem adoecer pelo simples fato de usar estratégias saudáveis em contextos inférteis para conexão e previsibilidade.