A criança negligenciada e maltratada precisa desativar seu alerta de sobrevivência que diz “ter um cuidador negligente é perigoso para sua sobrevivência.”
Como MECANISMO DE DEFESA, de forma inconsciente, ela seleciona e evidencia exageradamente uma qualidade do cuidador.
O pai de Cristina era frio , ausente e completamente desconectado das necessidades da filha, porém todo Natal a presenteava com algo de valor. Imediatamente, a criança hipercompensava as inúmeras faltas do cuidador e internaliza ” que presente maravilhoso! Tenho o melhor pai do mundo! “. Esse sentimento tira, mesmo que momentaneamente, a criança do abandono e privação e a coloca num patamar especial e se sentindo amada.
A criança precisa repetir a generosidade do cuidador diversas vezes , principalmente diante da sua falta.
Cristina hoje tem 27 anos . Apesar de namorar à distância, onde só pode ver o namorado 1vez ao ano (PRIVAÇÃO), internaliza várias vezes ” ele está trabalhando! Que homem maravilhoso! Tenho o melhor namorado do mundo!”
O DESAFIO CLÍNICO é entrar na infância de Cristina e validar a dor da sua criança diante das ausências do pai. O terapeuta precisa ser um porto seguro, capaz de amparar a criança desiludida que irá ser ativada após os exercícios de imagem.
Vale salientar que, o ” grande feito do cuidador ” é algo pífio em relações saudáveis. A própria relação terapêutica precisa oferecer doses salutares de generosidade sem negligência ou abuso.
O desfecho é a diminuição da química por relações que privem a criança interior de desfrutar uma conexão que possa atender as suas necessidades infantis.