As meninas desde muito cedo se tornam hipervirgilantes em relação aos homens.
Cláudia, aos 5 anos, assistia reportagem policial no colo do pai e ficava assustada com a brutalidade dos homens expostas na TV.
Manuela desde criança escutava da sua mãe: “não deixe nenhum professor, coleguinha ou homem tocar nas suas partes íntimas.”
Larissa na adolescência era proibida de usar roupas curtas para evitar assédio masculino.
Todas estas garotas desenvolveram desde cedo ESTRATÉGIAS para evitar assédio, estupro e pedofilia.
Como essas estratégias envolvem um enorme gasto de energia, obviamente, o cérebro precisa relaxar em situações menos perigosas.
Hoje, o namorado de Larissa permite que ela use roupas curtas , nunca a agrediu, muito menos a estuprou. Ela não admite que amigas ou familiares ousem a questionar do seu namorado.
Em terapia, bastante zangada falou: “Sei que ele não é perfeito! Mesmo que às vezes minta para mim e me traia, não chega perto dos canalhas que vejo por aí.”
Larissa tem internalizado um tipo de homem abusivo e tudo aquilo que estiver longe desse padrão será visto como não ameaçador.
O DESAFIO CLÍNICO consiste no terapeuta detectar se o namorado , mesmo tendo uma parte disfuncional, atende as necessidades de Larissa e o quanto essa relação é capaz de fazê-la feliz de acordo com suas expectativas.
O FOCO DA RELAÇÃO TERAPÊUTICA É VALIDAR SEUS SENTIMENTOS, se aliar a seu adulto saudável e juntos avaliar o quanto sua criança interior se sente amada e cuidada na relação.