A internalização de um modelo de adulto saudável começa na infância. É na relação com seus cuidadores de referência que a criança se sente atendida em suas carências infantis.
O bom cuidador consegue identificar as necessidades infantis, ajudando para que se sinta protegida , amada e devidamente frustrada diante dos impulsos de risco.
No início, a criança enxerga seus cuidadores como entidades perfeitas, pois assim é a forma de suportar os medos e ansiedades.
Aos poucos, a imperfeição do cuidador de referência é naturalizada e a mesma, apesar da decepção, rompe com a idealização em busca de sua autonomia, experimentando o que é essencial em sua vida, mesmo que a consequência seja frustrar o cuidador de referência.
O fanatismo na fase adulta ativa a química da criança que foi negligenciada e que conviveu com figuras instáveis, ora heróis, ora demônios. Por não ter tido um modelo estável, previsível e que a tivesse imposto limites , a criança desamparada dentro do adulto fragilizado ainda busca um cuidador perfeito e idealizado para curar seus traumas.
A figura do político poderoso surge como uma necessidade infantil de não apenas ser cuidado, mas de se sentir especial: “Ele é o melhor porque eu o escolhi!”
Toda a frustração e conflitos infantis serão direcionados para qualquer pessoa que ouse confrontar o adulto enfeitiçado ( CRIANÇA ILUDIDA).
O adulto adoecido, por não ter um modelo saudável ainda internalizado, se coloca em risco e se entrega completamente a esse político (CUIDADOR) COMO UMA CRIANÇA DEFENDERIA SEUS PAIS INDECENTES DOS DEFEITOS).
E são capazes de morrer literalmente por sentirem dever lealdade ao melhor e maior cuidador do mundo.
O FOCO TERAPÊUTICO não é o confronto ou trazer o paciente para a realidade, mas tolerar o pseudodelírio por se tratar de um mecanismo de defesa que o torna especial, logo, enquanto o terapeuta não funcionar como o modelo saudável para que lá na frente o paciente possa fazer o mesmo com sua criança, o delírio será a única forma de sobrevivência física e psicológica para sua criança vulnerável.