A criança culpada possui dois grandes medos : ser punida ou abusada por suas falhas e perder vínculos diante de pessoas importantes.
Sara, 28 anos, chega ao consultório arrasada e desesperada. O namorado controlador havia descoberto uma traição sua e terminado com a relação.
Em um impulso de proteção, o terapeuta pode tentar amenizar o erro culpando o namorado por ser abusivo, na tentativa de aliviar a dor da culpa.
Todavia , a criança culpada do paciente não necessita de um anestésico, mas de alguém que valide a raiva de si mesmo, sem que pareça coerente.
O paciente nunca trás a culpa daquela situação específica, mas o acúmulo de punições e abusos que sofreu ao longo da vida . Repete o sofrimento de sempre. Grita em voz alta o quanto se odeia e necessita de uma escuta sem interferência “acolhedora”.
A REPARENTALIZAÇÃO muitas vezes não está atrelada a tirar a culpa, mas em focar na relação terapêutica com experiência emocional corretiva.
“Sara, sei que odeias trair. Sei que estas com ódio de si. Posso te ajudar a mudar esse comportamento, mas mesmo que não consigas, nada irá mudar em nosso vínculo, sei quem tu és… nada mudará entre a gente”.
O BOM CUIDADOR não foca em tirar a dor da criança, seja por culpa ou sofrimento, mas em garantir que estará presente e não deixará a criança passar por isso sozinha.
A mensagem é: o mundo pode até julgar o comportamento do paciente, mas o terapeuta sempre estará firme, forte e conectado, servindo as necessidades da criança.
O VÍNCULO TERAPÊUTICO sem julgamento, aos poucos será internalizado pelo paciente, fazendo com que a voz que culpa, gradativamente, enfraqueça.