Numa relação abusiva, não importa quem seja o ABUSADOR ou o ABUSADO…ambos perpetuam suas faltas infantis.
O ato sexual surge como forma de aliviar estas faltas devido a adrenalina gerada.
Raul era narcisista. Teve uma infância com muitos privilégios materiais, mas com escassez afetiva. Quando a solidão infantil ressurge, ele precisa fazer algo de imediato para não sentir a dor do seu ” garotinho ” privado. Quando criança ora chupava dedo , ora recorria aos jogos eletrônicos, tudo para não sentir a falta dos pais.
Se casou com Júlia, que por sua vez tem esquema de abandono e privação. O pai morreu quando tinha apenas dois anos de idade, obrigando sua mãe a trabalhar redobrado e , deixá-la de lado.
Devido aos maus tratos sofridos, Júlia não consegue se aproximar de Raul , aumentando o sentimento de solidão do rapaz. Todavia quando transam seus esquemas são, temporariamente, desativados.
A penetração faz Júlia se sentir preenchida fisicamente. Naquele vai e vem sexual, ela sente que não está sozinha. Quando Raul goza, a sensação é de anestesia… tira o foco de sua solidão infantil.
Embora o casal transe acima da média em comparação a outros ….é um sexo sem conexão. Enquanto Júlia desabafa em terapia que Raul é só um ” pau “, a única concentração do rapaz é para atingir o orgasmo. Até no sexo, ambos são invisíveis um para o outro.