Aos prantos, Fernanda concorda que precisa romper com seu parceiro abusivo. Segura na mão do terapeuta e ainda muito vulnerável, surrurra: “Obrigada por tudo”.

Na sessão seguinte, de forma surpreendente, Fernanda assume uma postura mista de compaixão e vergonha. Afirma para seu terapeuta que quando ameaçou romper a relação, seu parceiro chorou como uma criança.

O terapeuta, por sua vez, explica que é comum abusadores ao perder o controle da situação, agirem como crianças mimadas, mas que no íntimo, não passa de uma manipulação. Fernanda encerra a sessão concordando com o terapeuta.

Na sessão posterior, a postura mista dá lugar a um MODO CRÍTICO e CONFRONTADOR: “Desculpe, mas acho que você foi bem injusto com meu marido!”.

Enfatiza o quanto o marido está melhorando e também fala da sensação de se sentir manipulada pelo terapeuta.

Afirma que irá romper com a terapia e de forma truculenta, ameaça denunciar o psicólogo ao conselho de ética.

O abusador é visto como uma figura forte e especial pela “criança encantada” do paciente.

É importante ressaltar que, a criança interior do paciente, para suportar perder o parceiro abusivo, desloca sua dependência para o terapeuta, entretanto quando o abusador volta a investir, ela também volta a se encantar … afinal, como ele se parece com suas figuras de referências.

Quando o abusador está prestes a perder o domínio para um rival ( nesse caso o terapeuta), passa a simular um amor genuíno que enfeitiça a CRIANÇA INGÊNUA DO ABUSADO.

O ESTILO DE APEGO DESORGANIZADO DA CRIANÇA grita : ” Ele pode ser mau , mas não posso viver sem ele.

E nestes casos, se pode ter um desfecho tão frustrante até para o terapeuta, que precisará de um apoio psicológico para acolher sua criança e ter alguém que diga : ” Não há nada de errado com você, querido, mas não é a tua função salvar o mundo”.

Na SÍNDROME DE ESTOCOLMO ao se criar um laço afetivo com seu abusador, o refém desenvolve uma compaixão pelo mesmo como defesa para não experimentar vulnerabilidade. O terapeuta ou qualquer pessoa que tente ajudá-lo, acabará por se tornar uma espécie de algoz … aquele que quer interferir no vínculo existente entre o ABUSADOR E ABUSADO.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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