O esforço frenético , seja para evitar abandono, seja na busca por amor, é sempre exaustivo…uma estratégia que resulta em MODOS DE CONTROLE, VIGILANTE, POSSESSIVO E OBSESSIVO, gerando uma desconexão em situações e contextos que vão além da relação.

Débora possuia sentimentos de abandono e rejeição na relação com Cláudio. Como estratégia, passou a checar todos os comportamentos do namorado a fim de descobrir se estava numa relação segura. Como consequência, se isolou . Não saia mais com amigos, foi reprovada em várias disciplinas na faculdade e até perdeu o interesse no autocuidado, deixando pessoas próximas a ela bastante preocupadas.

O fim da relação soou como um alívio para os mais íntimos. Equivocadamente, pensaram que a garota teria sua vida de volta.

A ESTRATÉGIA DE LUTA nas relações, geralmente não se inicia na fase adulta. Débora, desde criança, lutava pelo amor dos pais. A função da luta é evitar sentir a dor do desprezo, de ser ignorada e não ser suficientemente boa . Quando isso acontecia, a pequena Débora entrava em pânico.

Mesmo adulta, manteve a estratégia infantil e ao se deparar com o fim do relacionamento, reviveu a dor da garotinha negligenciada e mal amada.

O antídoto para essa dor está no VÍNCULO com pessoas que ofereçam um estilo de APEGO SEGURO, onde se possa usufruir da felicidade em ser amado sem esforços, lutas ou condições.

Não lutar parece ser entediante no início, por se tratar de uma nova maneira de se relacionar, mas ao longo da trajetória, será capaz de preencher parcialmente o vazio da criança solitária.

Hoje Débora está numa relação segura e muito feliz, mas vez em quando sua estratégia de luta aparece em forma de pensamento, a fazendo lembrar que “ninguém pode ser amado sem esforços”.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

Escreva um comentário