As pessoas acreditam que possuem um tipo ” ideal ” para se relacionarem, seja estético, de personalidade ou de condição socioeconômica do parceiro. Essa percepção não é totalmente inverídica, mas minimiza a química que os estilos de apego proporcionam.
Fernanda também tinha um tipo para se relacionar: homens ambiciosos profissionalmente e que cuidassem do corpo: fator que a atraia sexualmente.
Ao conhecer Vítor na balada, um garoto franzino e desempregado, não apenas foi desdenhado, mas ridicularizado por ela e suas amigas: ” que cara sem noção”.
Pela insistência do rapaz, acabou cedendo seu número de Whatsapp . Vítor a contactava todos os dias . Às vezes a garota ignorava, outras respondia com indiferença.
É quando ele diminui a frequência da demanda e reaparece anunciando que estava namorando.
Fernanda de imediato achou engraçado, mas depois se sentiu manipulada e até comentou com as amigas: “Que cara babaca. Fingia que gostava de mim e arrumou uma namorada”.
Algo estranho estava acontecendo. Sua raiva por Vítor aumentava proporcionalmente com sua vontade de ligar para ele, nem que fosse para brigar.
Ela estava triste. Algo nele ativou uma infância em que suas figuras de apego eram instáveis. A mãe que lhe declarou amor a vida inteira, foi morar longe com um namorado, sem vê-la por 2 anos. O sentimento de negligência havia sido acionado e o ESTILO DE APEGO ANSIOSO ATIVADO, onde aquele cara feinho de outrora, acabara de se tornar o projeto de sua vida.
O desejo de conquistar o negligente não tem nada a ver com qualidades, mas com a necessidade de anestesiar a dor do abandono da pequena ” Fê “, ressurgido numa relação tão banal.