Ingenuamente, acreditamos que quem escolhe nossos parceiros amorosos ou pessoas significantes para fazer parte da nossa vida é nosso modo mais consciente, mais racional.
A matemática é clara : nos interessamos por pessoas que ativam nossas emoções e que nos façam reviver situações infantis, bons ou maus momentos. O motivo? Nossos primeiros vínculos são desenvolvidos nas idades mais remotas.
Caio foi uma criança não só amada, mas valorizada por sua espontaneidade, validada diante sentimentos mais intensos e encorajada a desenvolver autonomia.
Hoje adulto , pessoas espontâneas, amáveis e que respeitam seu espaço, lhe causam admiração e vontade de conexão. Já pessoas críticas, autoritárias e manipuladoras, lhe provocam aversão.
Débora, por sua vez, por ter sido tão punida na infância, sente atração por amigos, namorados e até empregos que exijam demais e a coloquem como inadequada e defectividade.
No PROCESSO TERAPÊUTICO é essencial a compreensão de que a criança por trás do adulto, escolhe não buscar se envolver com figuras disfuncionais e semelhantes a infância por ” gostar de sofrer “, mas por ter um modo iludido e fantasioso que toda criança possui em acreditar que desta vez tudo será diferente e que ela receberá o que tanto precisa e nunca teve.
A postura do terapeuta nunca é criticar a escolha do paciente, mas acolher sua criança interior e acalmá-la, tirando qualquer tipo de culpa, assim o paciente deslocará toda raiva de si para os cuidadores, por não terem oferecido experiências emocionais mais saudáveis.
O foco será sempre a criança vulnerável, triste e acuada, que só precisa ser validada e saber que não estará mais sozinha, independente de suas escolhas.