Parece promiscuidade, falta de empatia ou até mesmo perversão, entretanto há um enorme sofrimento.
Bia era uma criança muito carente. Seus pais eram empresários e viviam viajando , deixando a pequena sendo cuidada por uma tia e uma babá, ambas não tão afetuosas.
A estratégia inicial para lidar com o sofrimento do abandono foi criar amigos imaginários, o que não teve grandes efeitos . Bia descobriu no colégio a solução para sua dor, ” colecionar melhores amigas “. Ela dizia para todas as suas colegas que elas eram suas ” Bests “,o que fazia com que todas se sentissem especiais e como consequência, cativavam o coração sofrido da pequena Bia.
Bia cresceu e seu ESQUEMA DE ABANDONO sofisticou a estratégia. Mesmo namorando e se sentindo amada, o medo de perder o namorado e ficar sozinha a fazia reviver a insuportável solidão infantil… sentimento que nenhuma criança deveria sentir.
Por ser uma mulher bonita e extremamente sexualizada, passou a ter uma legião de pretendentes, além de que fazia-os acreditar que em algum momento teriam chances com ela.
Ao mesmo tempo que se sentia preenchida com tanto cortejo, experimentava a culpa de enganar tanta gente, sem conseguir focar em uma relação e assim receber o que precisava, afinal gastava muita energia seduzindo e mantendo os homens na prateleira.
O DESAFIO TERAPÊUTICO é ajudar Bia a romper com a PRÁTICA DE BENCHING, que para ela tem a função de proteger sua ” criança solitária “, mas que na verdade a mantém privada de experimentar uma relação de verdade.
Ao romper com a prática, a dor da solidão é ativada e sua criança abandonada grita com medo do abandono.
A relação terapêutica lhe proporcionará afeto, atenção e cuidados para sua criança, com limites , estimulando a paciente a usar o modelo afetivo da terapia em sua relação amorosa.
Bia passa a pedir carinho e a expor seus medos de abandono, o que acaba sendo reparada. Abdicar da prateleira de pretendentes diminui sua culpa e seu esquema de abandono, sendo uma excelente estratégia para a ” pequena Bia” ser amada também pelo adulto saudável que sempre esteve com ela.