Talvez você tenha pertencido a uma família onde um dos seus cuidadores era muito complicado, seja por alcoolismo, instabilidade no emprego, possessividade ou infidelidade. Já o outro cuidador era resistente e bravamente cuidava do parceiro disfuncional, lhe causando uma enorme admiração, mesmo sendo criança.
Seu temperamento era parecido com o do cuidador que se sacrificava, logo a estratégia de suportar pessoas complicadas lhe atrai.
Hoje, adulta, já percebe pela quantidade de amigos que lhe pedem ajuda, que seu temperamento “forte” induz os ” frágeis”.
Sua vida amorosa é uma eterna bagunça. Você acredita que precisa salvar seu parceiro por ele ser fraco.
Sua ingenuidade atrai perfis abusivos travestidos de criança indefesa , o que faz com que você experimente uma compaixão absurda.
Quanto mais tenta salvá-los, mais dependentes eles ficam , exigindo uma dedicação extrema, o que lhe deixa estafada.
Em terapia você descobre que esse MODO ” SALVADOR “, além de não salvar o outro, a impede de suprir necessidades básicas como ser amada e cuidada.
A admiração pelo cuidador sacrificado dá lugar a criança vulnerável que nunca foi devidamente cuidada devido a relação dos pais.
Agora você se sente negligenciada e entende que a situação lhe remete para o ciclo infantil ao escolher parceiros complicados disfuncionais.
A empatia pelo outro se rompe. Você agora está ciente. Você agora só quer cuidar da sua garotinha refém de um ambiente inóspito, escasso de amor e cuidados.