Pacientes abusados na fase adulta, seja por amigos, parceiros amorosos ou no ambiente profissional, geralmente pertenceram a ambientes disfuncionais na infância, onde suas necessidades e emoções eram negligenciadas e punidas.
Rebeca não podia externar raiva quando a mãe estava agressiva . O pai desconectado e evitativo demonstrava incômodo quando a menina ficava triste, obrigando a pequena Rebeca, mesmo tão criança, a suportar os abusos parentais.
Naturalmente, com a chegada da adultez, esses pacientes, por possuírem um temperamento amável e passivo, se tornam reféns de pessoas semelhantes de suas figuras parentais.
O principal foco da TERAPIA DOS ESQUEMAS não está nos conflitos tóxicos do aqui e agora, já que estes são apenas uma extensão, uma continuação dos traumas infantis não elaborados. O foco está em ajudar o paciente a REPARENTALIZAR, cuidar , proteger, priorizar e amar sua criança interior abusada.
Na técnica de imagem, o terapeuta repara a criança abusada e a faz confrontar seus cuidadores disfuncionais. Esta reparação estimula compaixão pela criança indefesa e, consequentemente, a faz sentir raiva dos cuidadores.
A essência da técnica não está em romper o vínculo com os cuidadores , mas em sentir a dor da criança, não permitindo que a parte abusiva dos mesmos e posteriormente de pessoas abusivas possam fazer mal a criança do paciente.
Ter compaixão e se colocar no lugar dos pais disfuncionais do paciente é novamente fazê-lo se sentir culpado em enfrentar abusadores na sua vida. Quando o terapeuta se coloca desta forma está dizendo para a criança interior do abusado que ela é responsável por sofrer abusos.