É comum nas relações abusivas existir a infidelidade para punir, negligenciar , se desconectar do outro ou buscar no sexo extra conjugal um autoalívio capaz de acalmar a solidão do abusador. Devido a baixa empatia diante de seus parceiros , perfis abusivos possuem dificuldades em experimentar culpa ou compaixão. Perfis narcisistas, por exemplo, podem trair para hipercompensar seus esquemas de defectividade.
Em contrapartida, o abusado utiliza um MODO RESIGNADO, cedendo, suportando ou se desligando do abuso como forma de não sentir dor . E quando a traição ocorre por parte do abusado? Por parte do obediente? A infidelidade por parte do abusado acontece quando este , exausto de abandono e de privações afetivas, busca no amante mimos, acolhimento e afeto. Ao contrário do abusador, seu MODO PAIS DISFUNCIONAIS são ativados rapidamente. Após ser humilhada constantemente pelo marido, Roberta o trai , no modo vingativo. Em seguida escuta a voz rude e crítica da sua mãe em seus pensamentos: ” Que vergonha! Uma mulher casada, com filhos, fazer uma safadeza dessas!”
A culpa rumina os pensamentos do abusado infiel. Alguns confessam a seus parceiros traídos, outros guardam em silêncio o ódio de si, outros não conseguem interromper o comportamento infiel, aumentando ainda mais a culpa.
Os abusadores traídos usam critérios de punição semelhantes aos cuidadores da vítima. Utilizam a falha para ampliar e intensificar o abuso, só que desta vez plausível : “como irei respeitar uma puta que me trai, hein?” Falou Alberto, um marido que abusa da esposa desde sempre.
A criança interior negligenciada do infiel pode não suportar o desamparo, pulando no colo de qualquer um que prometa amá-la . Muitas vezes o amante também é abusador, ocasionando um abuso duplo.
O comportamento infiel não é a pauta principal da terapia. É essencial se conectar com a criança desprezada do paciente , que por ter poucos recursos emocionais cria um MODO ILUDIDO, acreditando que um amante é a solução para sua dor.
A função terapêutica consiste em validar a dor dos abusos e entender que trair não é a melhor estratégia, mas naquele momento pode ser o único recurso de sobrevivência para alguém esgotado de tantos maus tratos.