“Se você tem problemas com seus pais e não teve boas relações com seus ex, não venha agora me acusar de ser abusivo. O problema está em você. Não é possível que todo mundo esteja errado e só você esteja correta.”
Abusadores são aversivos à vulnerabilidade. Racionalizam muito mais; manipulam de forma brilhante, pois usam a lógica para induzir a distorção alheia da realidade.
Abusadores não escolhem suas vítimas na sorte, de forma aleatória. São os perfis que possuem históricos de maustratos e com enorme dificuldade em se defender que os atraem, afinal facilitam a manipulação. Pessoas abusadas tendem a usar o modo resignador nas escolhas de seus parceiros amorosos, perpetuando seus esquemas de defectividade, abuso e abandono.
Kátia foi uma criança criticada e humilhada pelos pais. Usava o modo resignador obediente para não a torturarem psicologicamente.
Este enfrentamento que ajudou a criança sobreviver na infância é levado para a fase adulta, o que a condiciona se envolver com homens críticos e punitivos. A escolha afetiva é sempre muito mais emocional, logo a escolha por pessoas semelhantes aos pais, para se vincular assim como na infância é quase que inevitável.
Em alguns momentos, a Kátia adulta assume o controle da situação, questiona os abusos sofridos, ameaçando romper a relação. O abusador , prevendo essa situação, já tem a resposta na ponta da língua: “Kátia, nem teus pais te aguentaram e eu que sou o problemático?”
O ESQUEMA DE DEFECTIVIDADE toma conta da consciência da jovem. A menina defeituosa surge chorosa e resignada. Baixa a cabeça e, como qualquer criança criticada pelos pais , só quer uma segunda chance para fazer diferente.