Mesmo oferecendo migalhas afetivas, abusadores fazem suas vítimas acreditarem que são privilegiadas por estarem juntos. E não é a toa… Não escolhem parceiros de forma aleatória. Como observadores do comportamento humano, detectam facilmente aqueles que facilitarão seu controle e domínio.
Parceiros com esquemas de privação, defectividade, abandono, abuso, subjugação e dependência emocional são os favoritos para uma eficiente manipulação.
Débora viveu em um ambiente escasso de afeto. Acreditava que a frieza dos pais era algo natural das relações. Quando conheceu Miguel com seu jeito desconectado, pouco afetuoso e egocêntrico, lhe soou tão familiar que se encantou de imediato pelo rapaz.
Abusadores frios no íntimo sabem que são negligentes e por isso procuram perfis que possam tolerar essa disfuncionalidade. Por serem bons de manipulação, num dado momento da relação, fingem afetividade, aumentando a ilusão da vítima de que são amadas.
Repentinamente Miguel trazia um chocolate acompanhado de um bilhete escrito: “TE AMO”…para quem na vida nunca havia recebido afeto familiar, a migalha parecia banquete.
A cena ensaiada, dá direito ao abusador negligente voltar ao seu padrão de indiferença pois a ” gentileza ” tende a perdurar muito tempo na memória daquele que nunca se alimentou dignamente de amor.