Juliana não suportava se sentir só. Perdeu os pais num trágico acidente quando tinha apenas 2 anos de idade . Foi cuidada por uma tia que, por precisar trabalhar para o sustento da casa, não pôde lhe dar amor, atenção e proteção. Quando se tem um ESQUEMA DE PRIVAÇÃO AFETIVA, possivelmente se evita vínculos e se aceita migalhas de atenção pelo fato de que se habituou com tão pouco nas relações.
Agora adulta, se encontrava numa montanha russa afetiva … todos os dias experimentava ser amada e rejeitada por seu parceiro com transtorno de personalidade borderline.
Equivocadamente se acredita que basta se perceber estar em uma relação abusiva e destrutiva para automaticamente se romper a dinâmica tóxica em que se encontra.
Ela sabia o quanto aquela relação era destrutiva e o porquê suportava tudo aquilo , afinal, a toxicidade afetiva que vivenciava a fazia se sentir viva, diferente daquele ambiente frio, vazio e entediante da infância.
O medo do abandono do parceiro, acabou impulsionando para que o casal se tratasse e suportasse a princípio o tédio de um vínculo seguro para que assim, mais tarde , pudessem usufruir o sentimento estranho de serem felizes.
O FOCO DA TERAPIA DO ESQUEMA não é a relação com seu parceiro borderline, mas, no caso, ajudar Juliana a se conectar com as necessidades da pequena Ju, sua criança ferida.
O que essa criança necessita? Qual a dor que permanece com ela? Quais cuidados são essências?…
A partir do momento que Juliana desenvolve compaixão por sua menina interior, passa a protegê-la da instabilidade da relação. Ela praticamente obriga o seu parceiro a decidir se ambos realmente irão entrar no processo de terapia ou o relacionamento será interrompido.
Atualmente , os modos mais ativados na vida de Juliana são do adulto saudável e da criança feliz e vulnerável, proporcionando constantes reparações para aquela que já estava convencida de que não encontraria o amor.