Algumas crianças, infelizmente, nunca desfrutaram a infância … desde muito cedo já tinham o papel de adulto em sua família.

Clarinha mesmo tão pequena, cuidava do pai com uma doença terminal e convivia com a mãe deprimida demais com a inevitável viuvez.

Uma das características básicas desse esquema consiste em na infância se ter pais frágeis e mais vulneráveis que a própria criança, obrigando- a desenvolver uma autossuficiência precoce como forma de sobrevivência. A criança sacrificada, não tem raiva nem se queixa dos seus genitores , pelo contrário, sente compaixão e até mesmo pena.

Clarinha , agora adulta, se compadece de homens frágeis, instáveis e complicados. Algo dentro dela a impulsiona a querer cuidar e dar colo, se envolvendo afetivamente com eles.

Um dos focos da terapia dos esquemas é trabalhar com os modos. O da Clara cuidadora a fazia experimentar sentimentos de ser boa a o suficiente, exatamente igual a quando cuidava dos seus pais.

O terapeuta poderá entrevistar o modo cuidador do paciente, valorizando sua generosidade mas apontando as consequências desastrosas no ambiente afetivo e pessoal , onde os sentimentos de solidão, negligência e abusos desenvolvidos na infância, jamais poderão ser curados enquanto houver envolvimento com parceiros frágeis e semelhantes a seus pais.

A relação terapêutica oferece cuidado, zelo e preocupação nunca antes sentidos…um acolhimento que ajuda e faz o paciente questionar e confrontar os padrões manipuladores e negligentes dos pais.

Havendo o desencanto, raiva , decepção e, principalmente, a conexão com a infância triste, o esquema de autosacrifício poderá enfim acabar ou fazer com que diminua o interesse por parceiros disfuncionais, possibilitando assim desfrutar uma relação recíproca com o adulto saudável no controle.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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