A criança depende completamente de seus pais, seja emocional ou para manter sua integridade física intacta, por nutrir uma admiração e pelo desejo de ser protegida, amada e valorizada. Assim, quando é negligenciada, abusada, punida ou rejeitada, não vivencia essa experiência traumática como: “meus pais são péssimos ou tóxicos ‘mas’ eu devo ser muito inadequada para sofrer isso, papai e mamãe só querem meu bem”. Essa ideia internalizada traz conforto, por manter as figuras parentais num lugar de importância.


Uma das técnicas importantes na terapia do esquema é a da imagem mental. O paciente, já adulto, com a ajuda do terapeuta tem a oportunidade de reviver traumas infantis, só que desta vez com um desfecho diferente.


O paciente, ao retornar para o cenário de abuso, é estimulado pelo terapeuta a externar toda a raiva contida por suas figuras parentais, só que, nesta ocasião, o terapeuta estará impedindo qualquer ato agressivo por parte dos cuidadores.

“Você mamãe não pode gritar comigo assim!” “Chega papai! A sua bebida é nociva para mim”. Alguns pacientes, mesmo adultos, não conseguem confrontar seus pais. Seja porque ainda os temam ou se culpem por sentir emoções desagradáveis por aqueles que lhe deram a vida. Logo, com a permissão do paciente, o terapeuta pode entrar na cena para protegê-lo, desde que o resultado seja de alívio para a criança vulnerável que existe nele.


O objetivo do exercício de imagem mental não é desenvolver ódio ou romper relações com os genitores, mas através da raiva colocar limites, lutar por seus direitos violados, experimentar o luto de uma infância caótica e abusiva. Por fim, generalizar a raiva protetiva, nos seus relacionamentos adultos, combate ações abusivas, constituindo um processo libertador.


Então, após validar e naturalizar a sua raiva, o paciente pode perdoar, compreender as limitações dos pais, se conectar com as partes saudáveis dos cuidadores e colocar limites nos comportamentos disfuncionais.


Todavia, há pais tão tóxicos que o perdão não será possível e cabe ao terapeuta “autorizar” a necessidade do paciente romper, definitivamente, com essas figuras parentais para conviver com referências mais saudáveis, empáticas e reparentalizadoras.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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