Crianças nascem com temperamentos diferentes. Algumas mais calmas, outras mais irritadiças, outras ansiosas… O comum de se esperar é uma conexão: ambientes ricos em afeto , compreensão e validação fornecem segurança necessária para que crianças se desenvolvam da melhor forma possível.
Por outro lado , um comportamento abusador não pode ser explicado como algo genético e biológico, mas aprendido… uma forma de funcionar que visa proteção no qual atacar seria a melhor forma de se defender.
Ambientes inférteis de afeto , onde o abuso é algo natural e esperado, geram crianças que, assistindo seus cuidadores se atacarem diariamente, aprendem que onde o mais forte e agressivo sobrevive e controla, se torna capaz de impor regras sob a pena de punição aos que o cerca, caso seja contrariado.
Abusadores nem sempre procuram a terapia por se tornarem disfuncionais mas por conflitos de difícil solução. Problemas com álcool, depressão, ansiedade, compulsão e alimentar são estratégias comportamentais que, além de aliviar o estresse emocional do abusador, os impedem de se enxergarem de frente a dor que causam as pessoas de sua intimidade..É na relação terapêutica que o padrão disfuncional aprendido pode ser enfraquecido e, às vezes, até extinto.
O terapeuta diante da dor e sofrimento que o abusador esconde, impreterivelmente, entrará em contato com os abusos sofridos e presenciados pelo mesmo na infância, se conectando com a vulnerabilidade do paciente.
O profissional se coloca como uma espécie de protetor, uma figura parental forte que protegerá a “criança indefesa” do abusador ,entretanto colocará limites no adulto do paciente, que hipercompensa toda a dor que sofreu nas pessoas de sua intimidade.
O objetivo final é conseguir utilizar uma relação terapêutica saudável e generalizar para vida social do paciente para que o rótulo de “abusador” seja extinto de sua vida e assim, possa se ver como alguém desamparado, vulnerável e triste que necessita de cuidados para posteriormente cuidar das pessoas importantes e essenciais de sua vida.