Bem antes do paciente experimentar a depressão propriamente dita, já havia, embora de forma sutil, crenças disfuncionais a respeito de si, do outro e do mundo. Foi assim que ele aprendeu e viveu em momentos de sua vida. Às vezes, criamos estratégias sofisticadas e poderosas para lidar com essas crenças, sem perceber o que realmente ocorre em nossa intimidade. Um indivíduo que se sente inadequado, imperfeito ou inferior pode ser o melhor aluno de uma escola, recebendo prêmio e aplauso… Contudo, o excesso de dedicação, junto com a obsessão em relação ao desempenho, o denuncia como de fato se vê. Assim, existirá um dia em que seus esforços não serão recompensados. Seja por limitação, seja por injustiça, coisas da vida… E aquela forma de pensar construída num passado distante, aparentemente extinta, retorna com juros devidamente corrigidos. Isso é insuportável! A depressão aflorada engana, acreditamos ser ela a grande vilã, no entanto é consequência de tudo que armazenamos. Inocentemente acreditamos, que após um bom tratamento, finalmente estaríamos livre desse mal que tanto atordoa nosso espírito… Um cara brilhante, chamado Aaron Beck, enfatizou que os sintomas expostos no ápice da depressão nada mais são que as crenças do paciente, sempre presentes, porém jamais acessíveis em sua consciência. Estratégias, com fins evitativos e de alienação, são utilizadas pelo paciente sem sucesso. Vai chegar o momento do grande encontro acontecer e tudo que foi adiado tem efeito acumulativo. O tratamento consiste em agir de forma contrária a esta crença, já instalada. Ou seja, ao flexibilizar o excesso e enfraquecer as obsessões, parece óbvio que o desempenho irá diminuir, porém ao aceitar a queda do resultado, estaremos livres da certeza perpetuada. Introjetaremos novos credos à nossa mente, como uma reprogramação.