Abusadores, em sua grande maioria, tiveram uma infância em que foram abusados, negligenciados ou conviveram com pais que se maltratavam, como se aquilo fosse um padrão natural de relação.

Ao conhecerem seu par amoroso, entregam o que há de melhor em si. São intensos, gentis, presentes, o que faz o outro se sentir especial como nunca foi. No íntimo, temem ser abandonados e rejeitados afetivamente, assim como foram quando crianças.

Abusadores buscam pessoas perfeitas para preencherem suas lacunas afetivas, logo, diante da primeira frustração amorosa, explodem e pensam: como ela foi capaz de fazer isso comigo? Esse ataque de fúria, geralmente, é diante de uma situação banal, que para eles é algo imperdoável: Bruno, você acredita que Fernanda desmarcou um jantar comigo só porque o imbecil do seu
filho estava doente? Você, como homem, deve entender minha revolta, não é mesmo?

Após a frustração, o abusador vai produzir culpa e punição na parceira para que, esta, não volte a lhe prejudicar e que ambos possam retornar para a desejada lua de mel.

Abusadores são paranoicos, desconfiados. Tendem a isolar seus parceiros por acreditar que as pessoas, no mundo externo, querem prejudicar, invadir seu relacionamento. Lembrem-se que abusadores, quando crianças, eram invadidos e invalidados pelos seus próprios pais.

Um parceiro com uma boa autoestima é perigoso, por ter a autonomia de romper o relacionamento. Logo, críticas depreciativas farão parte do repertório de autoengrandecimento: minha linda, você precisa ler mais, se vestir corretamente e mudar seu vocabulário. A mensagem passada foi: “que sorte a tua me ter como parceiro”…

Quando o abusado, após várias tentativas, decide romper o relacionamento, toda dor de uma infância desastrosa vem à tona. O abusador precisa do ódio para se empoderar e resolver se vingar. Ameaças de infernizar a vida do outro e o esquecer definitivamente são as mais usadas…

À medida que o outro resiste, a raiva do abusador diminui, e a depressão da criança solitária que nunca foi amada é ativada. Alguns se medicam, usam drogas, se mutilam ou tentam o suicídio. Ter compaixão pela criança abusada do abusador, sem dúvida, é o maior desafio clínico. Enquanto o mundo quer fuzilar o abusador, o terapeuta precisa acolher a criança solitária e colocar limites na criança zangada, que se sente violada sempre que frustrada.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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